Templo da Garça Vermelha
- 22 de nov. de 2017
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O Paul de Arzila, situado no Baixo Mondego, é o berço que acolhe uma das aves mais raras existentes em Portugal, chamada Garça-Vermelha.
Atualmente, existem 10 casais de garças na Reserva Natural do Paul de Arzila.
A Garça-Vermelha é uma ave discreta e, muitas vezes, de difícil observação. É magestosa, alta e magra, com pescoço arruivado e com longas listas pretas. Sendo esta uma ave estival, chega ao Paul no início de Março e volta para África no final do mês de Setembro.
Classificada como uma espécie em perigo, a existência da garça é cada vez mais escaça. Podem ser avistadas na Holanda, Polónia, Espanha, Portugal, Itália, Turquia, Marrocos e Argélia, com o total de uma população reprodutora Europeia estimada entre 49.000 e 100.000 casais. Em Portugal, rondam os 153 a 168 casais de garças.
Por ter uma classificação tão bela e tão rara, a Garça-Vermelha foi escolhida como simbolo desta reserva natural, em 1988, aquando do surgimento desta última. O motivo foram os primeiros dois casais avistados nesta área, e por estes serem tão essenciais para o possível desenvolvimento de uma espécie com estatuto nacional de perigo e de grande preocupação.
Localizado a 13km da cidade de Coimbra, entre as freguesias de Arzila, Pereira e Anobra, o Paul é uma zona de grande importância ornitológica, sendo o local onde esta ave encontra um habitat favorável para a sua alimentação, repouso, abrigo e nidificação.
Abrangendo uma grande área com 535 ha, compreende duas áreas distintas. Primeiramente o Núcleo Central, que corresponde à planície aluvial e à zona agrícola, local onde a garça pode encontrar alimento, sendo que o desenvolvimento deste ecossistema tem trazido várias vantagens à alimentação desta ave, como é o exemplo do aumento do número de lagostins: visto que este crustáceo também faz parte da cadeia alimentar desta ave, ela alimenta-se dele por ser fácil de apanhar, não tendo, desta forma, de se deslocar para procurar outro alimento. A zona de proteção é constituída pela zona florestada que, com a sua abundância de caniços, permite que esta ave construa neles os seus ninhos.
Como se trata de um ecossistema dinâmico que se tem desenvolvido de forma favorável à vida da Garça-Vermelha, a nível de alimentação, nidificação e reprodução, a intervenção humana é mínima, pois limitam-se a utilizar os diques para manter o nível da água de acordo com o seu interesse e com a gestão de habitats, de forma a não os prejudicar.
Existe uma gestão de esforços constante que envolve equipas constituidas por vários vigilantes da natureza que são permanentes e que, para além de supervisionarem as espécies, fazem um acompanhamento constante do desenvolvimento dos animais e do próprio Paul, procedendo semanalmente à monitorização, contagem e anilhagem das aves.
Quando chega o Inverno e a Garça-Vermelha migra para África, o trabalho destes vigilantes continua: é feita uma manutenção do seu habitat até ao seu regresso e, ao mesmo tempo, são tratadas outras espécies com igual importância que lá residem.














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